Campo das Chadas

 

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Sempre o tratamos por campo ervado – era isso mesmo o que era, mas nem por isso nós putos deixávamos de explanar naquele hectare os nossos talentos com a bola aos domingos de manhã, fizesse frio ou calor, chuva ou sol. Subíamos lá acima com a bicicleta na mão, já antecipando a viagem fulgurante e fugaz que teríamos pela frente ao voltarmos para baixo, rumo ao banho e ao manjar. E uma vez por ano, por honra das Mercês, aquele hectare ganhava vida própria. O ervado, companheiro do ano inteiro, dava lugar à terra batida e em campo estariam onze de cada lado, uns casados, outros solteiros, todos eles equipados de bordô, a cor do clube da terra e do vinho que aquelas encostas tão bem sabem produzir. A bola rolava, as portas dos balneários abriam-se e, do lado do bar ecoavam os escudos a serem trocados por minis frescas. A bancada do peão, que dava a volta inteira ao hectare e que era coladinha às linhas laterais – ambiente sempre intimidador para o senhor vestido de negro com apito na boca – fazia de décimo-segundo jogador e durante noventa minutos por ano, aquele hectare chamado de Chadas, com vista privilegiada para os Castelos, cumpria finalmente o destino que um dia alguém lhe quis traçar.

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Gloriosa paixão

 

Há certos registos, que por muito bons que sejam, que por muitos boas recordações que tragam e que por muitos sorrisos que trariam a quem os ouvisse, são destinados a ficarem unicamente entre aqueles que os produziram. Este é um desses casos. Mas não podia deixar passar este registo completamente despercebido e sem uma menção por aqui. E, de certa forma, pecaria ao não partilhar um segundo que fosse desse mesmo registo. E assim sendo, fica aqui feito esse mesmo exercício: um toque – apenas ao de leve – daquela que foi uma tarde especial, cumprindo após longos anos de espera uma profecia há muito anunciado. Porque o genuíno quando o é, tolera-se e admira-se. O resto, será para mais tarde recordar. De forma privada.

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Made in Chelsea

Difícil de acreditar, mas é este o cenário das minhas memórias de infância mais antigas.

 

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