“Entre Torres Novas e o Entroncamento”

Era assim, desta forma, que ela descrevia aos seus amigos virtuais – sentados por detrás do seu ecrã de computador e sem nunca terem sequer trocado um olhar em pele e osso –  a localização geográfica da vila onde morava.

– “Entre Torres Novas e o Entroncamento.”

– “Entroncamento?”

– “Sim. Entroncamento.”

– “Aquela cena dos comboios?”

– “Yep. Isso mesmo.”

Isto contava a pequena às amigas, todas elas de volta da única cabine telefónica ainda existente na vila. Dispostas em bando em círculo, posição natural de defesa contra olhares ou ouvidos indiscretos. 

Juntar-me-ia de boa vontade ao grupo. Não das amigas junto à cabine telefónica, mas ao grupo de cerca de quatro mil pessoas denominadas de Constancienses. Antes Constanciense do que Punheta. Bem fez D. Maria II em tirar o peso de cima da população local que o nome de Punhete lhes daria, com toda a certeza. Diz-se que por lá habitou Luís de Camões. E se serviu para ele, não haveria de servir para mim também? Um dia. Quem sabe.

Ladeado idilicamente por três rios, dois de água doce e um de alcatrão, e todos eles tendo Lisboa como destino: o Tejo, o Zêzere e a A-Vinte-e-Três, para além da sua extraordinária beleza, que mais poderá um homem querer?

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