Campo das Chadas de Ricjo.org no Vimeo. Carregar em HD para uma melhor visualização.
Sempre o tratamos por campo ervado – era isso mesmo o que era, mas nem por isso nós putos deixávamos de explanar naquele hectare os nossos talentos com a bola aos domingos de manhã, fizesse frio ou calor, chuva ou sol. Subíamos lá acima com a bicicleta na mão, já antecipando a viagem fulgurante e fugaz que teríamos pela frente ao voltarmos para baixo, rumo ao banho e ao manjar. E uma vez por ano, por honra das Mercês, aquele hectare ganhava vida própria. O ervado, companheiro do ano inteiro, dava lugar à terra batida e em campo estariam onze de cada lado, uns casados, outros solteiros, todos eles equipados de bordô, a cor do clube da terra e do vinho que aquelas encostas tão bem sabem produzir. A bola rolava, as portas dos balneários abriam-se e, do lado do bar ecoavam os escudos a serem trocados por minis frescas. A bancada do peão, que dava a volta inteira ao hectare e que era coladinha às linhas laterais – ambiente sempre intimidador para o senhor vestido de negro com apito na boca – fazia de décimo-segundo jogador e durante noventa minutos por ano, aquele hectare chamado de Chadas, com vista privilegiada para os Castelos, cumpria finalmente o destino que um dia alguém lhe quis traçar.
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